O som dos passos céleres ecoava pelo beco escuro e vazio. Mantinha a varinha em punho olhando constantemente para suas costas para se certificar que não tinha pessoa alguma o seguindo. Jurava ter visto o vulto adentrar por esse caminho, não poderia o perder agora! A sua frente viu pela iluminação do luar que estava se aproximando de uma rua. Seu ritmo diminuía consideravelmente até parar no meio da rua olhando ao seu redor. – Weasley seu idiota! Brandiu olhando para um jovem ruivo que também tentava procurar o paradeiro do vulto, por onde ele tinha ido? Sem pensar, correu para outro beco, esse continha várias poças d’água que denunciava sua posição atual. Um uivo rompeu de dentro do beco que fez todos os pêlos do corpo dele se arrepiarem momentaneamente. Ficava completamente estagnado, seu cérebro simplesmente parava pelo momento de pânico. Instintivamente pensou em recuar e chama o reforço, mas por impulso continuou a correr. Seu semblante sério permanecia, várias gotas de suor deslizavam pela sua face. Fez uma curva até que novamente parou. A metros de distância via um muro que fechava a travessa. Delineou-se um sorriso pela face dele ao ver os olhos cintilantes brilharem dentre a penumbra. Sem hesitar mirou sua varinha dando um giro e uma agulhada com a mesma e com todo prazer conjurando. – Estupefaça! Uma bola avermelhada clareava precariamente e momentaneamente o âmbito e ela caminhava na direção da criatura, infelizmente chocou-se com a parede com o movimento ágil de pular em cima de um amontoado de caixas quebrando diversas até. Agora o animal vinha muito rapidamente em sua direção, não teve muito tempo para agir, por isso a única coisa que fez foi girar seu corpo tentando se afastar. Podia sentir o calor do corpo daquele ser nas suas costas, seu ataque seria certeiro... Então cortou o ar cordas pelo seu lado que acertavam-no com tamanha a pressão que fazia a besta soltar gemidos de dor. Alegrou-se ao ver o corpanzil do Weasley e o franzino Black aparecerem banhados a luz da Lua. – K-Klaus! Derick! Virou-se para ver o corpo caído que se debatia no chão. – Lobisomem... Tsc... Esses bruxos não têm mais criatividade. Ralhou uma voz sobre seu ombro que identificou pelo timbre ser do Weasley rabugento. Estava tentando se esticar para acertá-los com as garras afiadas, mas ao mesmo tempo se preocupava em desamarrar-se das cordas que o sufocava e apertava seu pulso. – É lobinho, agora vai a tosa. Brincava o Black colocando a varinha na direção da cabeça dele, tinham que deixá-lo desacordado para facilitar no transporte. – Estupe... Iniciava Klaus, mas algo interrompeu de continuar, apenas ouviu um gemido e o som de algum líquido tocar no chão. Quando estava virando a cabeça, deparou-se com o corpo do parceiro erguido no ar, em seu tórax havia dois grandes buracos que jorrava sangue e a pele dele estava pálida. Assustado Derick apressou-se a se aproximar dele, mas era acertado por um raio verde que fazia-o voar alguns metros e cair sobre uma poça d’água. Quando seus orbes verdes localizavam alguém no corredor, apenas conseguiu erguer a mão e a palavra “Crucio” era vociferada. Era como se alguém desligasse o seu sistema nervoso e depois o ligasse novamente só que agora cada centímetro de seu corpo ardesse como se fosse muída bem lentamente. Seus joelhos cederam deixando o corpo do homem todo cair no paralelepípedo gélido. Uma risa seca ecoava pelo beco até finalmente aparecer um homem em um roupão perto segurando uma varinha ao lado de uma criança de aproximadamente doze anos. Ele analisava o lobisomem caído e girando o punho que continha a varinha, afrouxava as cordas libertando o animal. – Nã-ão! Sussurrava enquanto apertava sua barriga que estava doendo demais. Depois de lançar a maldição Imperius na besta que agora ficava adestrada ao seu lado – todavia por precaução um pouco afastada – abriu um sorriso mostrando os dentes amarelados. – Mexendo com o brinquedo de outros? Falava em um tom baixo enquanto iniciava uma caminhada em volta do corpo caído. – Tsc... Tsc... Aurores. Se sentem tão inteligentes apenas por ter uma carteirinha patética. Quando percebia que a dor do homem caído passava, novamente lançou-lhe a maldição Cruciatus que o fazia revirar no chão. – Seria injusto eu partir antes de te dar um presente, não acha? Seus dois amigos parecem tão felizes agora que dei a minha lembrancinha. Dando uma piscadela para o lobisomem, começou a caminhar rapidamente pela travessa desaparecendo do campo de visão do auror. Formou-se um sorriso na boca do animal que se aproximava de vagar, como se quisesse o aterrorizar. Esticou o braço direito levantando-o um pouco a cima da cabeça e cortando o ar junto a camisa dele nas costas. Sentiu suas costelas pegarem fogo, mas não comparadas a grande mordida em seu ombro que recebeu logo em seguida. Aos poucos foi perdendo a silhueta grotesca daquela criatura. Colocou uma mão no ombro tirando a saliva dele e apertando o machucado, a dor era incrivelmente forte, não resistia por muito tempo e seus olhos se fechavam... Desmaiava ali no meio de uma cidadezinha perto de Londres.
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